quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Os malefícios do uso precoce do álcool



Artur Orsi
           Crack, cocaína, LSD e outras drogas pesadas ilícitas são, há muito anos, o foco principal das autoridades brasileiras. Enquanto isso, o uso indiscriminado de bebidas alcoólicas, principalmente por crianças e adolescentes, se configura uma verdadeira chaga em nossa sociedade, com consequências à saúde e prejuízos ainda não totalmente dimensionadas. Já em 2011, pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras drogas (Abead) apontava que jovens nas faixas etárias entre 14 e 17 anos são responsáveis pelo consumo de 6% de todo o álcool comercializado no Território Nacional. Mais assustadoras são informações da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), vinculada ao Ministério da Justiça, revelando que o primeiro gole tem ocorrido entre os 11 e 13 anos. Ainda de acordo com a Senad, 42% dos alunos matriculados nos ensinos fundamental e médio ingeriram bebida alcoólica nos últimos 12 meses. No Estado de São Paulo, nesse caso incluindo todas as faixas etárias, as estatísticas da Secretaria da Saúde mostram que uma pessoa é internada a cada 20 minutos em razão de problemas causados pelo uso excessivo do álcool.
           Especialistas apontam que a cerveja, vendida em larga escala em todo o mundo, é a porta de entrada para o consumo de bebidas mais fortes (vodca, uísques, entre outras) e até mesmo para o uso de drogas ilícitas. Não é por acaso que as autoridades sanitárias indicam que no Brasil 80% dos adolescentes já beberam algumas vez na vida e 22% dos jovens correm o risco de desenvolver dependência de álcool. E os efeitos sobre a saúde física e mental são graves. Estudos demonstram que os adolescentes que bebem com regularidade podem até não sentir os efeitos imediatos no organismo. Mas José Eduardo Pandóssio, professor de farmácia da Universidade de Brasília (UnB), alerta que o uso da bebida leva, entre outros males, ao desenvolvimento de sérios problemas de aprendizado, afetando atividades rotineiras como memorização de exercícios escolares ou a fala em público, como resultado da degeneração do sistema nervoso, com a perda progressiva de neurônios.
          Os prejuízos do uso precoce do álcool são unanimidade entre os especialistas. Os médicos afirmam que o corpo do adolescente não está preparado para ingestão de bebidas alcoólicas e que, aliás, não existem doses seguras para o consumo – os adolescentes passam pelo período de crescimento, em que todas as células do corpo estão se desenvolvendo e tendem a ser envenenadas acarretando danos a todos os órgãos em formação, como destacam hebiatras (médicos especialistas em adolescência). Na outra ponta, a da comercialização, fica evidente a disseminação do uso dessa droga que tanto mal faz à juventude: no Brasil, apontam as estatísticas, o álcool é a droga preferida de 68,7% dos brasileiros; no País, 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas ocorrem devido ao álcool. Enquanto isso, amparado por propaganda massificante, o maior fabricante de cerveja do País vende dezenas de milhões de garrafas por dia.
           Diante desse quadro, que indica o risco de um futuro com legiões de alcoólatras de baixa faixa etária, fazem-se necessários esforços conjuntos de todos, com o intuito de conter a disseminação indiscriminada do uso do álcool por crianças e adolescentes, promovendo, por exemplo, especialmente em locais públicos e com a participação das famílias, atividades culturais e lúdicas que desviem a atenção da juventude para a prática de hábitos mais saudáveis. E esse deve ser compromisso da Administração Pública e dos diversos setores da sociedade.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Câmara de Campinas rejeita mais transparência nas licitações públicas


A Câmara rejeitou, na sessão da última segunda-feira, 28 de setembro de 2015,   projeto de minha autoria que obrigava a divulgação, na Internet,  das atas dos pregões presenciais e eletrônicos - o que traria maior transparência nas licitações. Noite triste. A proposta de lei tornaria obrigatória a divulgação de todas as atas dos pregões presenciais e eletrônicos realizados no município, no período de até 5 dias úteis após a sua ocorrência. Estabelecia, também, que fossem divulgados na internet, em espaço de fácil acesso e no mesmo prazo de cinco dias, os documentos ou orçamentos solicitados pela administração relativos à pesquisa de preços que serviram para a composição do valor do certame. A obrigatoriedade prevista no PL seria estendida a toda a administração direta e indireta do município. Conclusão: o prefeito Jonas e sua base aliada não querem a transparência necessária para que o Legislativo e a população em geral possam fiscalizar seus atos.